“Gripezinha”? Coronavírus já debilitou astros do esporte

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“Histórico de atleta” faz com que o Covid-19 seja assintomático? Não é o que se tem visto nas últimas semanas. Estrelas do esporte mundial como Kevin Durant, Rudy Gobert, Paolo Maldini, Paulo Dybala e Earvin Ngapeth já testaram positivo para o novo coronavírus. As queixas vão de febre, dores no corpo e até internação, fatos que contrariam a fala do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que, em pronunciamento realizado na noite desta terça, classificou a infecção viral como “gripezinha” ou “resfriadinho”, criticando o que classifica como “confinamento em massa”.

– No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado com o vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como disse aquele famoso médico daquela famosa televisão – disse Bolsonaro durante pronunciamento na noite de terça-feira.

Uma das muitas vítimas do novo coronavírus na Itália, o ídolo do Milan, Paolo Maldini, criticou as autoridades italianas pelas providências tardias no combate à pandemia. Sobre o seu estado, o ex-zagueiro revelou que sofreu bastante com febre alta e dores no corpo.

– Como todos os atletas, eu conheço meu corpo. As dores foram particularmente fortes, senti um aperto no peito. É um novo vírus, as lutas físicas contra um inimigo que não se conhece. Tive os primeiros sintomas em 5 de março, dor nas articulações e músculos e 38,5 ° de febre – disse Maldini.

“Pior vírus da minha vida”

Campeão olímpico em Londres 2012 e prata na Rio 2016 na natação, o sul-africano Cameron van der Burgh se aposentou das piscinas em dezembro de 2018. Foi diagnosticado com o Covid-19 há 17 dias. O ex-nadador de 31 anos contou que uma simples caminhada o deixa exausto por horas.

– Foi o pior vírus que já sofri, apesar de ser uma pessoa saudável com pulmões fortes, sem fumar e praticar esportes a vida toda, ser jovem e ter uma maneira de vida saudável. Embora os sintomas mais graves, como a febre, já tenham diminuído, ainda estou lutando com fadiga e tosse residual que não consigo erradicar – disse Van der Burgh.

O vôlei também não fica para trás. Astro da seleção francesa, Earvin Ngapeth revelou que passou por “dias difíceis” nos primeiros dias com os sintomas do Covid-19, precisando de internação em um hospital.

– Eu testei positivo para o Covid-19 há uma semana. A pior parte já passou, eu passei três dias complicados, mas agora acabou. Eu estou deixando o hospital em uma semana. Todos vocês, fiquem em casa. Isso não acontece apenas com as outras pessoas – alertou Ngapeth.

No futebol, os casos mais famosos de infecção pelo novo coronavírus são os de Danielle Rugani, Blaise Matuidi, Ezequiel Garay e Paulo Dybala, que precisou se isolar com a esposa também infectada.

O que os médicos dizem
O médico Nabil Ghorayeb explica por que é importante o isolamento:

– Não adianta dizer “Eu sou atleta, eu sou forte”. Se a carga viral for pequena, tudo bem. Mas, com uma carga viral alta, mesmo sendo atleta será difícil combater a doença. Por isso é importante o isolamento. E se o cara foi atleta: a resposta não é o seu passado atlético, você não tem poupança, tem que ver o que tem hoje na conta-corrente de imunidade.

O médico Luis Fernando Correia, ao falar do risco do novo coronavírus, citou o exemplo de um atleta amador.

– Ontem vi um exame de um amigo de 40 anos, médico, atleta amador, sem doença crônica: a tomografia dele é assustadora. O grau de inflamação que esse vírus causa nos pulmões não é medida em todo mundo que pega, porque não dá para fazer tomografia em todo mundo, só nos mais graves. Mas esse meu amigo, que sentiu muito a doença, mas não foi internado, fez. E existe um grau de inflamação importante mesmo em que não é internado, e nos mais graves fica ainda pior. O que se prevê é que daqui a um ano vamos ver as repercussões em pessoas que passaram por esse processo de inflamação nos pulmões, de agressão pulmonar..